Luang Prabang: A Realidade Alterada

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Slow Boat Mekong River to Luang PrabangDepois do trajeto de dois dias de slow boat paramos em um ponto afastado do centro e fora das estação das chuvas não há nível suficiente para o grande barco trafegar, assim a saída foi usar um tuk tuk.

De cara esqueça as tarifas divididas da Tailândia (e do restante do planeta, creio). Em Laos a cobrança é por pessoa, mas se você disser… ok, então não vou dividir eles te cobram pelo preço ‘private’…, então o valor é o mesmo com 3, 5 ou 10.

Logo no inicio do trajeto cruzamos algumas vilas (distritos) periféricas ao centro da província de Luang Prabang e a primeira marca registrada, além da pobreza em que seus habitantes vivem, são as bandeiras chinesas dividindo espaço com as de Laos e em algumas placas as duas línguas caminham lado a lado nos deixando claro o regime socialista  atual do pais.

bamboo bridges

O centro de Luang Prabang é uma bolha turística exatamente no meio da verdadeira realidade do pais. Há uma mescla de templos budistas antigos e novos, motocicletas, tuk tuks, barracas de comida, cafeterias francesas, hotéis caros e hostels improvisados nas casas dos moradores que estão aproveitando o turismo crescente no local. Normalmente as famílias vivem no mesmo local em que trabalham, assim o hostel normalmente abriga pais, filhos, avós, tios o que nos dá uma oportunidade de ver um pouco como é o estilo de vida deles.

A cidade foi colônia de diversos povos, americanos, ingleses e franceses, por isso a forte influência europeia ali, sendo possível encontrar até mesmo bagel e café espresso de ótima qualidade dividindo espaço com a famosa “street food” ou comida de rua típica da Ásia. Importante ressaltar que o acesso a gastronomia internacional não é para todos os moradores devido aos altos preços praticados se comparados ao da comida de rua ou mesmo caseira deles.

Wat Xieng Thong

Enquanto a natureza ao redor é ainda linda e o turismo na cidade tem crescido bastante, principalmente pelo lugar ser considerado como herança mundial pela Unesco, não pense que sua vida será fácil ou barata, pois há cobrança de entrada em quase todos os templos, cachoeiras, parques, museus (de pequeno acervo), além de ficar “refém” dos tuk tuks para distancias mais longas, uma vez que a locação de motocicletas é extremamente cara se comparado a todas as demais cidades, por dois motivos, um os altos impostos cobrados pelo governo e outro pela comissão de 30% dos agentes da região.

Assim como na Tailândia, há também duas listas de preços, uma para os moradores e outra normalmente 100% mais cara para os visitantes. Na cidade a maioria dos moradores é ainda gentil, mas já sinais de “erro de troco”, troca de preços mesmo com negociação fechada, alguns se recusam a ajudar com direções ou simplesmente não te respondem, como se ali não houvesse ninguém.

O mercado noturno é uma joia que pode te levar a loucuras de consumo se você não for cuidadoso e a regra geral: pechinche! É como a cultura local manda.

Night Market Luang Prabang

No geral o centro de Luang Prabang é interessante e um ótimo caminho para encontrar viajantes de todos os tipos, idades e lugares.

Minha passagem na cidade se deu especialmente para conhecer Kuang Si, as cachoeiras de águas azuis, que merecem um texto só para elas.

Luang Prabang foi um marco importante na minha viagem, pois acabou me levando para uma mudança na rota para chegar ao Vietnam.

Pessoalmente gostei da cidade, da mescla cultural, da gastronomia, mas a depreciação na cultura local que o turismo está gerando me deixou pensativa sobre diversos fatos em uma sociedade. Como tudo na vida há sempre seus lados opostos. Aqui não é diferente.

Stela

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