Poder Pessoal e o Limite Indivídual

Por uma série de eventos, inclusive em minha vida pessoal, tenho pensado e reconstruído muito sobre o que é o poder pessoal. Duas palavras simples, mas de imenso valor quando se trata de nossas vidas.

Não entendam o meu texto como um apelo feminista, muito longe dessa intenção, mas ilustro aqui o que vejo como uma das causas do desequilíbrio do poder pessoal, principalmente com relação às mulheres.

A sociedade quando saiu do modelo matriarcal e passou para a hierarquia patriarcal, seguiu por anos a fio suprimindo as características da energia feminina (tanto nas mulheres quanto nos homens) por meio da violência, seja ela física, emocional ou psicológica e o que antes era a segurança e pilar de sustentação da identidade do feminino passou a ser considerado motivo de vergonha.

Até a algum tempo atrás (e é assim ainda em muitos lugares) expressar suas emoções era considerado uma fraqueza. Frases como “engole o choro”, “coisa de mulherzinha”, “essa é uma descontrolada” são parte do cotidiano, e sustenta a base de muitos relacionamentos tóxicos. Demonstrar sua insatisfação num relacionamento, qualquer que seja é muitas vezes revertido em base de argumentação que te leva a crer que seu estado emocional é resultado de seu próprio desequilíbrio, porque, claro, o outro está pleno e perfeito no relacionamento (#soquenao).

Endurecer o coração para se moldar as expectativas traz diversos sintomas de dor à vida.
Endurecer o coração para se moldar as expectativas traz diversos sintomas de dor à vida.

E ao aceitarmos esse inversão como parte da nossa vida, faz com que diversos sintomas comecem a se mostrar, são os alarmes da nossa alma avisando que algo está fora de lugar: depressão, ansiedade, insônia entre uma lista longa que o nossos sistema pode usar de acordo com o que será nosso entendimento. Ao final resultamos com um relacionamento decadente, uma doença física, mas com uma chave poderosa que pode nos mostrar a cura do outro lado da porta, mas é preciso abrir a porta e cruzá-la.

Caminhar até essa porta e cruzá-la é uma das decisões mais nobres que a alma pode tomar, pois é o inicio de nossa jornada em reassumir nosso poder pessoal. É o momento em que deixaremos as “comodidades” de uma situação medíocre, mas já conhecida para nos lançaremos a aventura do incerto, onde a única bússola que teremos é nosso coração.

Seu coração como bússola das suas escolhas, sempre!
Seu coração como bússola das suas escolhas, sempre!

Mudar e se reassumir implica em olhar para nossa fraqueza, nossa sombra e acolhe-la com amor, sabendo que ela existe porque como seres duais, fomos nos adaptando as condições que nos levaram a crer que seríamos mais amados se fossemos X ou Y, mas que para representar o que achamos que o mundo queria, abrimos mão de nossa própria verdade, de nossa identidade interior.

O mundo mudou, mas ainda impera a ilusão de que a mulher precisa ser submissa e subserviente para ser amada, aceita e manter um casamento feliz, mas onde foi parar a felicidade individual dessa mulher? Sentir até onde permitimos que a mundo invada nosso espaço interior é o primeiro passo na cura e a cura individual de cada uma, é um passo na cura coletiva da sociedade, porque a cada pedaço de reintegração da Luz interior há uma reverberação externa que emana a todos, afinal Somos Todos Um.

A responsabilidade começa individualmente em se curar e libertar, mas se expande ao redor, onde um é responsável por todos. Uma mulher curada atrairá uma relacionamento mais saudável, criará filhos emocionalmente mais maduros, terá conselhos mais sábios para a amiga que precisa de ajuda, contribuirá de maneira mais integra com a sociedade e esse é o ciclo virtuoso que a liberdade de exercer seu poder pessoal te dá: alegria de ser quem realmente se é e colher os frutos positivos que essa escolha nos dá.

Um relacionamento pleno começa com a nossa alma completa.
Um relacionamento pleno começa com a nossa alma completa.

Um depoimento que representou muito do que é essa passagem está no documentário What Makes Us Humans, do cineasta Yann Arthurs-Bertrand que passou 3 anos coletando depoimentos de pessoas ao redor do mundo traz aos 1:23:00 o ponto ao qual me referi acima: mudar pode doer inicialmente, mas um novo mundo se abrirá a sua frente. Portas se fecham, mas nunca sem outras se abrirem. A decisão é sua em quando irá decidir parar de sofrer e assumir sua própria verdade, seguindo sua alma é não ilusória auto estima fragilmente criada. Curar pede tempo, paciência, perdão e amor consigo próprio.

Um imenso e carinhoso abraço,

Stela

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