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Religião, Medicina Natural e Simpósio Internacional

O que a religião, medicina e um Simpósio Internacional tem em comum? A busca pela saúde plena e integral do ser humano e do ambiente em que vive.

Em pesquisa na internet me deparei com esse artigo escrito no portal Namu pela jornalista Vanessa Cancian que aborda a participação de representantes do Candomblé e de tribos indígenas no 4o Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Integrativas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo.

Aqui o link direto para a matéria com os vídeos das entrevistas de Patricia Spier e Kaká Werá.

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A medicina indígena e o candomblé

Tradições afro-ameríndias ganham espaço no debate científico sobre equilíbrio e saúde

Patricia Spier
Patricia Spier

A integração entre corpo e mente que hoje os profissionais de saúde pesquisam com o objetivo de prevenir e tratar desequilíbrios é inerente às tradições da medicina popular. Convidados a discutir como essas práticas dialogam hoje com ciência, representantes da umbanda, candomblé e da medicina praticada pelos pajés trouxeram seus saberes para o 4º Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo e Associação Palas Athena

“Na cultura indígena, não podemos dissociar as tradições de religião e medicina. Não é só a prática que é integrativa, a concepção desses saberes também são”, afirma a antropóloga Lúcia Helena Rangel. “Saúde é um estado de bem-estar físico, psíquico e mental, segundo a definição da Organização Mundial de Saúde. Nós, dentro da tradição afro-brasileira, dizemos que saúde é a harmonia do espírito”, diz o médico Bruno Barbosa, membro da Faculdade de Teologia Umbandista. “Se o espírito está em harmonia, o corpo físico também está.” 

O pajé nasce com o dom da cura, explica Kaká Werá sobre as práticas dos índios guaranis .
O pajé nasce com o dom da cura, explica Kaká Werá sobre as práticas dos índios guaranis .

Kaká Werá, em sua convivência com índios guaranis, explica que nessa tradição “todo o princípio de cura não é fragmentado da espiritualidade”. Até hoje, em qualquer comunidade guarani há um espaço chamado de opã, a casa de reza. “O local onde acontece a cura é o mesmo onde ocorrem os encontros sagrados, os batismos, as preces, os ritos de passagem.”

Os ricos estão com depressão porque o dinheiro não trata a dor e os pobres têm problema de banzo porque não têm o que comer. Criamos um mundo de disputas e dele a medicina não dá conta sozinha

A ligação entre o corpo e o espírito foi destacado também por Mãe Dango, sacerdotisa de um templo de candomblé angola e ativista da liberdade religiosa no Brasil. “Se nós não tratarmos da alma, compreendendo o que é a chamada fitoterapia espiritual, se a medicina não sair do caminho da racionalidade, do cumprimento do dever, se ela não tomar de volta esses notórios saberes, discutindo um pouco o fato de que o câncer é criado pela dor da alma, no futuro estaremos ainda mais doentes.”

Axé para todos

“Nas religiões afro-brasileiras, quando queremos desejar força, saúde, paz e vitalidade, desejamos axé”, explica Barreto. O sacerdote explica que os banhos de folha e tudo que é feito das religiões afro-brasileiras são feitos de maneira sacralizada e ritmada. “Até pra se colher uma folha há uma metodologia que pode começar com uma simples defumação, queimando uma erva seca e essa simples queima de uma erva faz mexer na energia de elementos como fogo, ar e terra”, completa.

A mãe de santo explicou também sobre a necessidade de haver no mundo, pessoas que querem discutir o que é corpo e alma, livre de preconceitos e abertos à diversidade. 

Simpósio de Medicinas Tradicionais Unifesp
“É o axé que nos dá força, coragem, garra, determinação, nos excita, nos acalma”, destaca Bruno Barbosa

Somos luz

A dança é fundamental no processo de cura da tradição guarani, explica Kaká Werá. ” A dança nos devolve a saúde, a harmonia, no nosso caso, a dança semicircular”. Ele esclarece a dificuldade que existe para que as pessoas entendam essa medicina do ponto de vista meterial. “Não se pode entender como essas ferramentas curam com o olhar material porque essa tradição parte da ideia de que somos espíritos, e não matéria. Acreditamos que antes de sermos presença física dentro de uma forma, somos uma essência sutil, intangível e luminosa.” 

“Para uma sociedade acostumada a acessar as informações em documentos, é preciso saber que essas práticas não são superiores nem inferiores à medicina como conhecemos hoje”. A tradição guarani e suas práticas medicinais possuem cerca de 12 mil anos de existência. “A diferença é que esses conhecimentos não foram escritos.”

Fé  e ciência na mesma sintonia

“Durante muito tempo os costumes e tradições africanos e indígenas foram marginalizados, por isso é fundamental propagar as ideias e discussões”, salienta Bruno Barbosa. “Precisamos deixar de encarar a ciência como algo ortodoxo ante a espiritualidade, pois não são coisas opostas, são complementares”, finaliza.

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Teera: Viver Para o Antigo e Novo Templo

Teera Temple MapTeera é um monge budista muito simpático que me parou na rua quando estava a caminho da estação de ônibus e me contou que vive naquele templo próximo ao hostel que me hospedei a cerca de 20 anos.

Estava andando pela beira do rio quando ele me convidou para conhecer o templo. Aceitei e uma jornada incrível se iniciou.

Pude presenciar como a incrivelmente linda e detalhada decoração de um templo é feita. Vi desde a medida e corte de cada pequenino pedaço de espelho até sua colocação em cada minúsculo espaço das paredes (até me deixaram colocar um!).

Teeras mirors

Presenciei um funeral, onde todos celebram por 3 dias a morte da pessoa, pois quem se foi se libertou do sofrimento da terra e após esses dias acontece uma “procissão” e cremação do corpo.

Conheci os animais que vivem junto aos monges e me deram permissão para conhecer as áreas internas dos dormitórios. Pude tomar um café gelado com Teera em seu quarto/ templo que de maneira muito feliz me mostrou centenas de fotos que recebe de outros visitantes ao redor do mundo. Todos convidados por ele da mesma maneira que fui para estar em sua presença naqueles momentos inacreditáveis.

Old New Temple

Sua grande paixão: Paris. Ele guarda fotos, canetas e mesmo uma mini réplica da Torre Eiffel com todo o carinho próximo a seu altar. Seu grande orgulho e sua razão de viver são esses templos: O antigo e o novo, o qual está sendo inteiramente revestido desses mini espelhos para que brilhe ao nascer do sol, nas primeiras orações do dia e também no por do sol quando se retiram para seus aposentos.

Conversar sobre os templos, seu modo de vida, sobre a rotina do colégio anexo ao templo e ao mesmo tempo sempre preocupado em tornar seu tempo ali agradável o deixam imensamente feliz.

Teera and me

Pra mim foi uma das experiências mais lindas da minha vida, ver a simplicidade do que é ser feliz independente do tamanho que seja seu mundo, porque a grandiosidade desse mundo está no amor e na gratidão que temos internamente e que traz a sustentação e a beleza do que está fora.

Me sinto profundamente abençoada por essa experiência.

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Sukhothai: Vivendo Intensamente

SukhothaiO trajeto entre Ayutthaya e Sukhothai foi feito de ônibus e pegamos uma tempestade no caminho, o que fez com que a eletricidade do posto de gasolina acabasse, então não havia como abastecer. Esperamos cerca de 2hrs e quando finalmente estávamos na rodovia demos de cara com um acidente envolvendo uma carreta que fechou o acesso… mais espera, mas finalmente chegamos a Sukhothai. Era tarde e a estação estava fechada, então sem muita opção precisei contratar a motocicleta para me levar ao hostel.

Na manhã seguinte fui conhecer o parque histórico de Sukhothai, muito bonito e interessante, mas se a temperatura estiver superior aos agradáveis 33o alugue uma motocicleta porque pedalar com o sol a pico tira a graça de qualquer passeio. Dos 3 sítios, consegui visitar 2 devido ao intenso calor, na casa dos 46o.

Sukhothai Gas Station

No terceiro dia aluguei uma motocicleta e pilotei 68km até o parque histórico Si Satchanalai. Rota fora do turismo óbvio e de mais difícil acesso, embora dê para ir de ônibus local, mas as ruínas são bem mais distantes uma das outras, então novamente recomendo a locação da motocicleta e não deixe de visitar as principais ruínas, são lindas e há também sítios arqueológicos a alguns km dali.

Si Satchanalai Arqueological Museum Sukhothai

A entrada em cada sítio é 100baths, mas você pode comprar o ingresso geral para todos e pagar 220baths, vale muito a pena. Procure chegar por volta das 11am e passe o dia a base de muita água gelada. Suas memórias irão compensar.

A gentileza das pessoas aqui é também incrível, alguns mesmo sem falar inglês vem conversar com você e como agradecimento o nosso sorriso em retorno com um gentil Kob Kun Kah (Obrigada em Thai).

Lugar incrível que recomendo com certeza. Não estava na minha rota inicial, mas decidi vir assim mesmo. Ainda bem que vim! Além de lindo, aprendi a usar uma motocicleta :).

Wild feelings!Si Satchanalai Sukhothai