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Sozinha II

Viajar é também uma constante mudança e evolução de sua própria maneira de caminhar pelo mundo, pelo menos está sendo assim comigo.

A cada dia que se passa aprendo novas maneiras de lidar com as situações, com as dificuldades, com as pessoas e comigo mesma.

A cada dia deixo um pouco do que trouxe comigo para trás, seja em itens materiais ou não, mas algo que antes parecia muito importante, agora já não é mais.

Muitos itens viraram presentes para retribuir a aquelas pessoas que de alguma breve forma foram importantes por me ensinarem algo sobre a vida, outros simplesmente foram embora.

A cada dia chego maravilhada, mas cansada e o maior desejo seria tomar um bom banho e cair na cama, mas não é possível porque preciso me organizar para a próxima jornada, pesquisar um hostel, calcular meu orçamento, cuidar das roupas já sujas, falar com amigos e familiares, organizar fotos, escrever os textos… todos os dias há muito mais a ser fazer.

Wat Lokayasutha

A cada dia tenho que lidar com meus sentimentos, com a confusão que surge com a distância, com a saudade, com o medo de ser esquecida por aqueles que amo, com o que será de mim e da minha vida quanto voltar, quem serei eu então? Foram no calendário ainda tão poucos dias, mas tanto já se passou e temos mais, muito mais por vir! Como será, então? Darei conta de tudo isso? Acalmar o coração nessas horas quando não se tem ninguém por perto é uma tarefa de fato.

A cada dia a vida lá continua acontecendo e a sensação que me dá é de que às vezes estou vivendo em um universo paralelo, de que não faço mais parte nem de lá e nem daqui, porque em todos os lugares é como se não houvesse mais lugar pra mim. Lá porque deixei de ser importante e aqui porque de verdade nunca ninguém me viu antes.

Lotus

A cada dia são tantas as mudanças, são tantos os fatos e a cada esquina que viramos algo incrível pode acontecer e lidar com tudo isso, embora seja uma imensa benção traz consigo uma grande responsabilidade. Ser feliz é ser responsável por si e viajar solo nos torna ainda mais conscientes da responsabilidade que temos para conosco e para com aqueles ao nosso redor, pois independente da alegria ou da tristeza que recaía sobre seu coração, o mundo segue e você precisa seguir caminhando na espiral da vida com coragem porque naquele momento fisicamente é só você ali.

Stela

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Sozinha

“Odeio que me roubem a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.” F. Nietzsche

solidao3Solidão… palavra que ecoa nos cantos trevosos de nossos espíritos com mais força que qualquer outra coisa no mundo ou talvez esteja em pé de igualdade com a morte para alguns.

Muitas vezes na minha vida decidi coisas que a maioria das pessoas não o faria por estarem sozinhas, coisas simples do dia a dia como sentar-se em um restaurante, pedir uma cerveja num bar, viajar… sim… viajar.

Como pode alguém viajar sozinho? Nesse caso, sozinha?

Do pavor  à admiração é o que já vi estampado nos olhos de muitos quando relato algumas das minhas experiências.

A mais recente é a viagem ao Sudoeste da Ásia – serão 90 dias percorrendo 4 países de língua, religião, costumes, gastronomia… tudo completamente diferente do nosso cotidiano.

No início foi complicado me centrar para conseguir colocar em prática tudo o que era necessário…planejamento, dinheiro, vistos e informação. Muita informação!

Para superar o medo comecei a buscar na internet sites de outros viajantes, li seus relatos e a maioria viaja em casal… isso não era uma opção pra mim, então procurei mais e achei o blog da Fernanda Souza que tem vários relatos dela ao redor do mundo, inclusive no Sudoeste da Ásia e a partir dai, segui a pesquisa. De presente ganhei também uma boa dose de incentivo do amigo Rafael Ávila, do DayTrippers Br. A partir dai a coisa foi começando a entrar nos eixos.

O que sempre digo é: compre a passagem. A partir dai não tem volta, você vai ter que se planejar e se organizar porque a data está marcada. Bom, ao menos essa dose de pressão funciona bem comigo. Parece incrível, mas a partir desse ponto comecei a entender melhor o nome das cidades e seus pontos turísticos, distancias, câmbio e com o investimento de umas 40 horas estava com o roteiro de 90 dias montado.

Medo de ir sozinha? Não, não tenho. Isso me dá uma sensação de excitação pelo novo. Não saber exatamente o que me aguarda, quem irá cruzar meu caminho, que comida vai queimar minha boca, onde vou me perder, quais línguas irei ouvir, quem irá tocar minha alma com sua sabedoria, quais paisagens me farão chorar…  tudo isso parece mágico!

É claro que uma dose de cuidado não faz mal a ninguém, não é mesmo? Não dar sopa por ai vale pra qualquer lugar, inclusive para o nosso país.

Restaurante vivo

Então se você ainda tem dúvida… não tenha! Vá… porque dessa vida não levamos nada, a não ser aquilo que ficou marcado em nossa alma, então não deixe que suas marcas sejam a de espera para que alguém possa seguir seus sonhos. Simplesmente os realize por si só.

Coragem e adiante!